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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Juventude Ouremense, Passado e Modernidade

Ourém é uma cidade pérola. Isso mesmo, pérola. Coisa rara de se ver. Porém, pérolas são bonitas demais, e as pessoas dão muito valor à espécie. Então, Ourém é uma “coisa incrível”. Coisas acontecem e ninguém faz nada. Os jovens ou se acabam em drogas e sobrevivem do seu comércio, ou tornam-se apenas meros expositores da sua pessoa pública, sendo assediados pela televisão, mídia hegemônica nacional. Ouvem o que a MTV bem quer que ouçam e se vestem como a moda, exibida nas novelas globais, bem quer que vistam. Existem outros que estão fadados ao tédio, e a insatisfação os faz ao tédio render-se.
Para situar o leitor, é preciso que se fale da situação política de hoje na cidade. Governa o prefeito Elias Oliveira do PMDB, eleito na terceira candidatura e vencido nas duas anteriores pelos ex-prefeitos, em ordem de mandato, João Gomes e Zoé Saavedra, ambos do PSDB. O prefeito Elias foi recebido pelo povo como aquele que iria mudar a situação trágica ouremense e suprir a necessidade do povo de mudança. Os eleitores tinham sede de coisa nova, nada muito diferente do comportamento do século XXI, que em Ourém começou meio atrasado, se é que já começou.
Porém,mesmo com a escolha do profeta da mudança, a população ainda continua insatisfeita. O modelo econômico que se vê ainda é o mesmo em décadas, a maioria da população é servidor público e recebe, em média, um salário mínimo e meio (IBGE, 2010); uma parcela menor são os comerciantes fixos, os que detêm de lojas comerciais fixas; e uma quantidade ainda menor são os comerciantes ambulantes, que, ou sobrevivem vendendo cópias de CD’s e DVD’s que a indústria cultural, com uma grande representatividade da Rede Globo, produz, ou sobrevivem vendendo comidas,  típicas ou fast foods. Esse “comer fast foods” significa ser chic,pois alguém que lancha no Polonga é visto como alguém que detém de poder financeiro, e portanto, possui status.
Em meio a essas identidades, mistura de costumes do século passado com imposições culturais da globalização, a juventude ouremense se vê a mercê de programas que invistam em educação, cidadania ou progresso. Sem isso, ela apenas está fadada ao fracasso profissional, educacional, e acaba sendo seduzida pelo álcool, pelas drogas e constrói identidades a partir da televisão e da moda.
O que vejo em Ourém são oportunidades para oportunidades de uma vida melhor, e as vejo em todo lugar. Porém, ela é vista por eles como um lugar onde nada se têm, e nada dali se tira. Essa é uma visão fácil de ser aceita, pois existem milhares de argumentos a favor dessa teoria se nós formos comparar ao símbolo de avanço tecnológico que é a capital Belém, sendo esse símbolo visto como positivo na atualidade. Tecnologia e (pós) modernidade são as palavras do momento. Mas pergunta se alguém em Ourém sabe o que isso significa.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

"Cidade de Aspas"

Chamo-me Gustavo Antonio Aguiar. Moro em Belém há 1 ano e 6 meses, e sempre que posso estou em Ourém. Morei todos o meus primeiros dezessete anos naquela cidade e consigo andar de olhos vendados por todas as ruas. Bem, mas isso não vem ao caso.
O caso é que Ourém está no rol das cidades mais antigas do Pará. Hoje, com uma população de pouco mais de 16 mil e 300 habitantes, vem expulsando seus moradores pelo fato de não oferecer a eles uma qualidade de vida nem oportunidades. O que move a economia ouremense são os serviços e a grande maioria dos empregos são ofertados pela prefeitura. Isto faz com que grande parte da população fique à mercê de decisões políticas - muitas vezes arbitrárias - e das eleições, ocorridas de dois em dois anos, que faz com que a cidade fique "em eferverscência" cheias de "debates" (falaremos mais adiante destes "debates"). Esta seria a principal evidencia de conflitos em Ourém, e digo mais: esta é a principal evidência de conflitos em Ourém! Mas conflitos em sua maioria "sussurrados". Ninguém sabe de nada, ninguém ouve nada. E tem muita gente que faz muita coisa e fala muita coisa.
Sabe quem são os protagonistas dessa cena impenetrável? Os políticos. Falemos agora de coisa de político (e não vou falar em furto). Melhor: vamos falar de coisa de político ouremense, que não se difere dos demais, mas estão em um campo de atuação digamos que privilegiado. Político ouremense tem dinheiro. Sim, ele tem, ou pelo menos já teve, ou pelo menos visa-o. Não imagine você que a mira das ações deles é o povo. Eles têm interesse, e os interesses não são modestos. Mas sabe o que mais um político deseja, além de dinheiro? PODER. No cenário político atual ouremense por o que mais se briga é poder. Gente que visa o futuro, que calcula ações milimetricamente para atingir alvos incrivelmente importantes para eles. E sabe de uma coisa: eles não gostam de vocês. E vocês? "Debatem".
"Debate": aqui com aspas para afirmar não ser algo no seu sentido real. E este texto está cheio de aspas, pois muita coisa naquela cidade é "estranha", muita coisa do que se diz em Ourém é aspeado. Muita. E estes "debates" são fajutos pois são discussões de pontos de vistas mentirosos que nossos "queridos" políticos nos fazem impor sobre nosso círculo social. E como o povo "debate"... TANTO, que virou mania, agora "debatem" o ano inteiro.
A causa desses "debates" frequentes é a atual gestão. O prefeito Elias Oliveira decepcionou muita gente por motivos diversos. Seja pelo fato de ter dado a impressão de um governo diferente, seja pela questão de "fidelidade" que o povo pôs nele, e que o povo acha que ele não cumpriu com ela (digo no que diz respeito á cargos "prometidos" que foram ocupados por outros etc.). Mas o prefeito não é o único foco da discussão.
Ultimamente o Vereador Valdemiro Júnior, o Junhão, tem comunicado que na próxima eleição municipal se candidatará a prefeito. Isto causou um grande alvoroço pois é um candidato forte ao cargo. Valdemiro foi o vereador mais votado na duas eleições em que se candidatou, e têm um grade apoio do povo. O caso é que talvez isso tenha sido uma ameaça a alguns, e talvez até ao atual prefeito que pense em uma possível reeleição. Mas isso também pode ser uma grande "jogada" de publicidade do vereador, pois ele é um vereador muito popular, e isto faz com que o povo já pense sobre a próxima eleição e nele como possível candidato. Já percebemos que realmente "eleição" é um assunto muito comentado e com uma determinada relevância no círculo de conversas dos moradores dessa cidadezinha.
Alguém ai ouviu a palavra "projeto"? Pois é, ninguém ouve nada relacionado à progresso em Ourém. A juventude apenas tem interesse em festas com bandas badaladas do momento, e cobra isso, mesmo que indiretamente, da secretária da juventude, cultura, esporte, lazer e turismo Inacilene Costa. A população quer emprego, salário pra pagar a conta no mercadinho, comida na mesa. Sim, eles querem apenas viver. E nem isso dão para aqueles que lhe deram tudo que eles precisaram para estar ali, ganhando o melhor salário da cidade: o voto. Na verdade deram sim em troca dele, deram um saco de cimento, um milheiro de tijolos, telhas, algum tipo de agrado: COMPRARAM VOTOS!
Sim, isso é um pedido de socorro, e só vocês podem nos socorrer. Socorro!!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ourém: descaso no passado e no presente

Por Roberto Aguiar

Na escola Ângelo Moretti aprendi com a amada professora Cotinha, na minha primeira aula de história, na 5ª série do ensino fundamental, em 1991, que é necessário compreender o passado para melhor compreender o presente. Uma pena que muitos filhos da minha cidade, incluindo seus governantes [velhos e atuais] faltaram a essa aula.

A nossa pequena Ourém já foi grande no passado. Localizada no nordeste paraense, elo entre as capitanias do Grão Pará e Maranhão, carregou em seu rio um longo período da história da formação do Estado do Pará. Um pedaço de tempo pouco conhecido pelos seus cidadãos. Pouca coisa escrita, registros apagados do espaço. Ruas alargadas, casarões derrubados, documentos oficiais não preservados.

Quem passeia pela nossa cidade não encontra vestígios da nossa história. Quem por ela passa, pensa que é uma cidade nova. Sua paisagem não revela, não permite perceber a nossa real construção no tempo e no espaço. Assim, podemos chegar à conclusão que a forma como nossa cidade foi conduzida para um futuro que não chega, acabou levando a desconstrução do nosso passado. Quem não é capaz de preservar sua história, não é capaz de garantir nenhum futuro.

Em nome de um falso progresso, assistimos, sem reclamar, prefeitos construir praias artificiais às margens do nosso rio. Hoje, ele agoniza lutando para garantir sua sobrevivência. A areia, que outrora embelezou a margem do rio, tomou o lugar das águas. O Rio Guamá está raquítico, fraco, na fila da UTI.

Prédios históricos foram derrubados para construir prédios novos ou praça, como ocorreu com o antigo Mercado Municipal. Casarões que deveriam ser preservados e tombados como patrimônio cultural, foram de fatos “tombados”, em outro sentido da palavra, caíram, foram ao chão, por falta de valorização e preservação da história e da cultura ouremense.

O que assistimos na atualidade é um filme que começou ser filmado em preto e branco, passou pela era da descoberta da imagem colorida, chegou à imagem digital, mas nada mudou. O cinema é mudo e a imagem cinza prevalece.

Os prefeitos [diretores do cinema] insistem em seguir o mesmo roteiro. Descaso com a educação, com a saúde, com o saneamento, com a cidade e seus moradores. O rio segue seu leito de morte. O latifúndio e as seixeiras desmatam nossa floresta acelerando a morte do rio. A paisagem artificial predomina e apaga de vez a paisagem histórica.

O cinema funciona porque a plateia paga o ingresso. E paga caro, sem direito à pipoca e guaraná. Precisamos mais do que mudar o diretor do cinema e o roteiro. Precisamos na verdade construir um outro cinema. Não adianta querer colorir o filme se a história segue o mesmo rumo.

Os erros do presente são reflexos de um passado apagado no tempo e no espaço. Logo, apagado das mentes e dos corações dos ouremense. A apatia, o silencio predominante e o lance do que “está pior não fica” são frutos da falta de ligação com a cidade, com a história, com a nossa raiz.

Os ouremenses precisam conhecer melhor Ourém. Quem sabe depois disso podemos construir um novo cinema, com um novo diretor, um novo roteiro, com imagens 3D e, o fundamental de tudo, com uma nova plateia. Afinal, no dia 29 de maio, a cidade fundada em 1727, completa mais um aniversário e bem merece esse presente.

sábado, 12 de março de 2011

Organizar Apuros.


Venho neste blog juntar forças para buscar respostas para acontecimentos que ficam por explicar e sob "hipóteses" e conclusões precipitadas dos moradores ouremenses. Não é recente o descaso que tanto cidadãos quanto governantes têm para com a nossa cidade, Ourém. De falta de estruturas à falta comunicação, a população da cidade vive descontente e descrente das possibilidades de uma Ourém com problemas sendo resolvidos. A foto exposta é do cais do rio Guamá no coração de Ourém. Infelizmente, como várias vezes já aconteceu, por conta das chuvas o rio transbordou e o cais, que faz parte da conhecida "Praça do Fogo", cedeu e caiu afundando no rio. O caso seria interessante e menos triste se a população tivesse a certeza de que algo seria feito. Mas ao que me consta, boa parte do cais já tinha cedido e não foi visto nem feito algo por governo nenhum, tanto estadual, que foi quem o construiu junto com a praça, quanto municipal, mais próximo e portanto acessível a consertos. Ele deve estar ao acaso por mais de anos, e será que é isso que irá acontecer? Ourém é conhecida por atrair milhares de turista em meses como Julho. Será que com uma paisagem como esta, alguém irá ser atraído para passar férias? Creio que não. Ourém vai perder sua beleza, sua força econômica periódica, sua IDENTIDADE? Isso se ficarmos calados, como ficamos até então. Precisamos gritar ao vento nossas inquietudes. Precisamos não nos aquietar diante dos dificuldades de nosso município. São muitos problemas para serem resolvidos de uma só vez? Se é, não sabemos. Ourém tem um site, cuja última atualização nos remonta à julho de 2010. Isto porque o assunto era Festival da Canção Ouremense. Sim, a cultura é muito importante, mas temos problemas de igual grandeza, quiçá de maior. O site tem um preço, e ele não está sendo usado de maneira que seja aproveitado o máximo disso. O povo de Ourém ainda fica de fora das decisões que tomadas pelos "homens-do-poder". E isso me remete a uma pergunta: Vivemos de fato em uma Democracia? São mais de 15 mil habitantes, e os jovens se não armam uma "boca-de-fumo" ou começam a assaltar, são obrigados a migrarem para outro lugar afim de buscar ensino superior ou qualidade de ensino básico. São Miguel do Guamá e Capitão-poço são exemplos de cidades muito mais novas que Ourém e muito mais desenvolvidas. Nelas, encontramos Faculdades, tanto públicas quanto privadas, com ensinos que podem ser considerados bom. E então? Por que Ourém não evoluiu de tal forma? Quanto tempo se passará ate de fato começar a "evoluir"? São essas e outras perguntas que iremos tentar buscar as respostas adequadas. É de você que preciso. Ao longo de sua existência, este blog levará informações e motivações à jovens, adultos, idosos, crianças, à população, para que possamos lutar juntos para trilhar um caminho reluzente e ético para nosso município e seu Povo. Busquemos Apuros!