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segunda-feira, 21 de março de 2011

Ourém: descaso no passado e no presente

Por Roberto Aguiar

Na escola Ângelo Moretti aprendi com a amada professora Cotinha, na minha primeira aula de história, na 5ª série do ensino fundamental, em 1991, que é necessário compreender o passado para melhor compreender o presente. Uma pena que muitos filhos da minha cidade, incluindo seus governantes [velhos e atuais] faltaram a essa aula.

A nossa pequena Ourém já foi grande no passado. Localizada no nordeste paraense, elo entre as capitanias do Grão Pará e Maranhão, carregou em seu rio um longo período da história da formação do Estado do Pará. Um pedaço de tempo pouco conhecido pelos seus cidadãos. Pouca coisa escrita, registros apagados do espaço. Ruas alargadas, casarões derrubados, documentos oficiais não preservados.

Quem passeia pela nossa cidade não encontra vestígios da nossa história. Quem por ela passa, pensa que é uma cidade nova. Sua paisagem não revela, não permite perceber a nossa real construção no tempo e no espaço. Assim, podemos chegar à conclusão que a forma como nossa cidade foi conduzida para um futuro que não chega, acabou levando a desconstrução do nosso passado. Quem não é capaz de preservar sua história, não é capaz de garantir nenhum futuro.

Em nome de um falso progresso, assistimos, sem reclamar, prefeitos construir praias artificiais às margens do nosso rio. Hoje, ele agoniza lutando para garantir sua sobrevivência. A areia, que outrora embelezou a margem do rio, tomou o lugar das águas. O Rio Guamá está raquítico, fraco, na fila da UTI.

Prédios históricos foram derrubados para construir prédios novos ou praça, como ocorreu com o antigo Mercado Municipal. Casarões que deveriam ser preservados e tombados como patrimônio cultural, foram de fatos “tombados”, em outro sentido da palavra, caíram, foram ao chão, por falta de valorização e preservação da história e da cultura ouremense.

O que assistimos na atualidade é um filme que começou ser filmado em preto e branco, passou pela era da descoberta da imagem colorida, chegou à imagem digital, mas nada mudou. O cinema é mudo e a imagem cinza prevalece.

Os prefeitos [diretores do cinema] insistem em seguir o mesmo roteiro. Descaso com a educação, com a saúde, com o saneamento, com a cidade e seus moradores. O rio segue seu leito de morte. O latifúndio e as seixeiras desmatam nossa floresta acelerando a morte do rio. A paisagem artificial predomina e apaga de vez a paisagem histórica.

O cinema funciona porque a plateia paga o ingresso. E paga caro, sem direito à pipoca e guaraná. Precisamos mais do que mudar o diretor do cinema e o roteiro. Precisamos na verdade construir um outro cinema. Não adianta querer colorir o filme se a história segue o mesmo rumo.

Os erros do presente são reflexos de um passado apagado no tempo e no espaço. Logo, apagado das mentes e dos corações dos ouremense. A apatia, o silencio predominante e o lance do que “está pior não fica” são frutos da falta de ligação com a cidade, com a história, com a nossa raiz.

Os ouremenses precisam conhecer melhor Ourém. Quem sabe depois disso podemos construir um novo cinema, com um novo diretor, um novo roteiro, com imagens 3D e, o fundamental de tudo, com uma nova plateia. Afinal, no dia 29 de maio, a cidade fundada em 1727, completa mais um aniversário e bem merece esse presente.

sábado, 12 de março de 2011

Organizar Apuros.


Venho neste blog juntar forças para buscar respostas para acontecimentos que ficam por explicar e sob "hipóteses" e conclusões precipitadas dos moradores ouremenses. Não é recente o descaso que tanto cidadãos quanto governantes têm para com a nossa cidade, Ourém. De falta de estruturas à falta comunicação, a população da cidade vive descontente e descrente das possibilidades de uma Ourém com problemas sendo resolvidos. A foto exposta é do cais do rio Guamá no coração de Ourém. Infelizmente, como várias vezes já aconteceu, por conta das chuvas o rio transbordou e o cais, que faz parte da conhecida "Praça do Fogo", cedeu e caiu afundando no rio. O caso seria interessante e menos triste se a população tivesse a certeza de que algo seria feito. Mas ao que me consta, boa parte do cais já tinha cedido e não foi visto nem feito algo por governo nenhum, tanto estadual, que foi quem o construiu junto com a praça, quanto municipal, mais próximo e portanto acessível a consertos. Ele deve estar ao acaso por mais de anos, e será que é isso que irá acontecer? Ourém é conhecida por atrair milhares de turista em meses como Julho. Será que com uma paisagem como esta, alguém irá ser atraído para passar férias? Creio que não. Ourém vai perder sua beleza, sua força econômica periódica, sua IDENTIDADE? Isso se ficarmos calados, como ficamos até então. Precisamos gritar ao vento nossas inquietudes. Precisamos não nos aquietar diante dos dificuldades de nosso município. São muitos problemas para serem resolvidos de uma só vez? Se é, não sabemos. Ourém tem um site, cuja última atualização nos remonta à julho de 2010. Isto porque o assunto era Festival da Canção Ouremense. Sim, a cultura é muito importante, mas temos problemas de igual grandeza, quiçá de maior. O site tem um preço, e ele não está sendo usado de maneira que seja aproveitado o máximo disso. O povo de Ourém ainda fica de fora das decisões que tomadas pelos "homens-do-poder". E isso me remete a uma pergunta: Vivemos de fato em uma Democracia? São mais de 15 mil habitantes, e os jovens se não armam uma "boca-de-fumo" ou começam a assaltar, são obrigados a migrarem para outro lugar afim de buscar ensino superior ou qualidade de ensino básico. São Miguel do Guamá e Capitão-poço são exemplos de cidades muito mais novas que Ourém e muito mais desenvolvidas. Nelas, encontramos Faculdades, tanto públicas quanto privadas, com ensinos que podem ser considerados bom. E então? Por que Ourém não evoluiu de tal forma? Quanto tempo se passará ate de fato começar a "evoluir"? São essas e outras perguntas que iremos tentar buscar as respostas adequadas. É de você que preciso. Ao longo de sua existência, este blog levará informações e motivações à jovens, adultos, idosos, crianças, à população, para que possamos lutar juntos para trilhar um caminho reluzente e ético para nosso município e seu Povo. Busquemos Apuros!