Ourém é
uma cidade pérola. Isso mesmo, pérola. Coisa rara de se ver. Porém, pérolas são
bonitas demais, e as pessoas dão muito valor à espécie. Então, Ourém é uma
“coisa incrível”. Coisas acontecem e ninguém faz nada. Os jovens ou se acabam
em drogas e sobrevivem do seu comércio, ou tornam-se apenas meros expositores
da sua pessoa pública, sendo assediados pela televisão, mídia hegemônica
nacional. Ouvem o que a MTV bem quer que ouçam e se vestem como a moda, exibida
nas novelas globais, bem quer que vistam. Existem outros que estão fadados ao
tédio, e a insatisfação os faz ao tédio render-se.
Para
situar o leitor, é preciso que se fale da situação política de hoje na cidade.
Governa o prefeito Elias Oliveira do PMDB, eleito na terceira candidatura e
vencido nas duas anteriores pelos ex-prefeitos, em ordem de mandato, João Gomes
e Zoé Saavedra, ambos do PSDB. O prefeito Elias foi recebido pelo povo como
aquele que iria mudar a situação trágica ouremense e suprir a necessidade do
povo de mudança. Os eleitores tinham sede de coisa nova, nada muito diferente
do comportamento do século XXI, que em Ourém começou meio atrasado, se é que já
começou.
Porém,mesmo
com a escolha do profeta da mudança, a população ainda continua insatisfeita. O
modelo econômico que se vê ainda é o mesmo em décadas, a maioria da população é
servidor público e recebe, em média, um salário mínimo e meio (IBGE, 2010); uma
parcela menor são os comerciantes fixos, os que detêm de lojas comerciais fixas;
e uma quantidade ainda menor são os comerciantes ambulantes, que, ou sobrevivem
vendendo cópias de CD’s e DVD’s que a indústria cultural, com uma grande
representatividade da Rede Globo, produz, ou sobrevivem vendendo comidas, típicas ou fast foods. Esse “comer fast
foods” significa ser chic,pois alguém
que lancha no Polonga é visto como
alguém que detém de poder financeiro, e portanto, possui status.
Em meio a
essas identidades, mistura de costumes do século passado com imposições
culturais da globalização, a juventude ouremense se vê a mercê de programas que
invistam em educação, cidadania ou progresso. Sem isso, ela apenas está fadada
ao fracasso profissional, educacional, e acaba sendo seduzida pelo álcool, pelas
drogas e constrói identidades a partir da televisão e da moda.
O que vejo
em Ourém são oportunidades para oportunidades de uma vida melhor, e as vejo em
todo lugar. Porém, ela é vista por eles como um lugar onde nada se têm, e nada
dali se tira. Essa é uma visão fácil de ser aceita, pois existem milhares de
argumentos a favor dessa teoria se nós formos comparar ao símbolo de avanço tecnológico
que é a capital Belém, sendo esse símbolo visto como positivo na atualidade.
Tecnologia e (pós) modernidade são as palavras do momento. Mas pergunta se
alguém em Ourém sabe o que isso significa.