Texto Roberto Aguiar
Foto Gustavo Aguiar
Milhares
de fiéis participaram da tradicional procissão de São Benedito em Ourém, no
nordeste paraense, no último dia 24. O santo cozinheiro é popular pela sua
simplicidade, sua história de pobreza e, acima de tudo, pela sua solidariedade
aos pobres. “A solidariedade é a marca, o rosto de São Benedito”, afirmou a
Professora Wilma Costa.
Os
romeiros caminham 7 km para chegar até a Vila do Tininga, comunidade onde está
localizada a capela de São Benedito, onde se inicia a caminhada. Os fiéis fazem
o caminho de volta até Ourém cantando e rezando em louvor ao santo negro da
Igreja Católica.
Tanto
na ida como na volta, romeiros pagam variadas promessas. O agricultor José
Pereira, estava vestido com uma mortalha preta e carregava uma bandeira
vermelha com a imagem do santo. “Sofri um acidente de motocicleta em outubro do
ano passado. Os médicos disseram que eu não sobreviveria. Fiquei três dias em
coma. São Benedito me salvou”. Emocionado, o agricultor confessou que seguirá
com a promessa. “Minha mãe fez a promessa, seria somente esse ano. Mas seguirei
caminhando com São Benedito até quando minha saúde permitir”.
| São Benedito, o santo negro, peregrina nos braços de devotos por toda a procissão |
Superação
de problemas de saúde, aprovação no vestibular e emprego são as graças mais
agradecidas pelos fiéis. Mas o romeiro Celso Magrão, recorreu a São Benedito para
que seu time garantisse o título de campeão brasileiro de futebol em 2011. “Eu
não assisti ao jogo. Em minha casa tinha uns 30 amigos acompanhando o jogo pela
TV. Fiquei com medo de ver o Corinthians perder”. Magrão estava vestido com o
uniforme do time do seu coração. Carregava uma bandeira corintiana que
tremulava no ar em meio à romaria. “São Benedito é uma sustentação. É como uma
rocha”. O torcedor afirmou que em 2012 vai novamente pedir ajuda a São
Benedito, agora para que o Corinthians alcance o título da Taça Libertadores da
América, o sonho de todo corintiano.
A
festa ouremense é uma tradição popular, não se sabe a data de seu inicio. No
começo era procissão marítima. Vários barcos desciam pelas águas do Rio Guamá
até o porto de Ourém. Pela década de 1970, águas do rio foram substituídas pela
estrada de terra, hoje asfaltada. Pela água ou pela estrada, a festa cresce a
cada ano. “A festa de São Benedito em Ourém é muito significativa. É uma
devoção à própria mãe de Jesus. Não se sabe a data que começou essa festa, mas
é uma festa de cunho popular, uma festa onde as pessoas passam o ano todo se
preparando, fazendo promessas, criando animais para doar ao Santo. A gente
percebe que pelo fato dele ser preto e humilde, se identifica com os pobres, com
os mais sofridos, por isso, ele é um grande santo da Igreja Católica e um
grande santo da sociedade ouremense”, frisou Wilma Costa.
| Prof. Wilma, integrante do grupo de canto da Igreja Sede de Ourém e devota de São Benedito |
Fé e emoção
Depois
da ladainha cantada, a pequena imagem do Santo Cozinheiro, coberta por várias
fitas coloridas, é carregada pelos romeiros. Diferente de outros círios onde a
imagem é levada em um andor ou berlinda, a imagem de São Benedito é levada
pelos fiéis. O tempo é controlado para que todos possam carrega-lo em seus
braços.
A
frente da imagem, duas bandeiras vermelhas anunciam a presença do santo.
Acompanhada por uma pequena banda composta por senhores e jovens, instrumentos
de madeira rústica acompanham as músicas cantadas ao Glorioso.
Atrás
da imagem vem o mastro, um tronco de arvore de nove metros de comprimento,
coberto com palha de açaizeiro, enfeitado com flores naturais e frutas [coco,
abacaxi e banana]. O mastro é carregado por homens descalços, que caminham de
forma sincronizada e unidos na mesma fé e emoção.