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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Em Ourém, milhares caminham em louvor a São Benedito





Texto Roberto Aguiar
Foto Gustavo Aguiar


Milhares de fiéis participaram da tradicional procissão de São Benedito em Ourém, no nordeste paraense, no último dia 24. O santo cozinheiro é popular pela sua simplicidade, sua história de pobreza e, acima de tudo, pela sua solidariedade aos pobres. “A solidariedade é a marca, o rosto de São Benedito”, afirmou a Professora Wilma Costa.

Os romeiros caminham 7 km para chegar até a Vila do Tininga, comunidade onde está localizada a capela de São Benedito, onde se inicia a caminhada. Os fiéis fazem o caminho de volta até Ourém cantando e rezando em louvor ao santo negro da Igreja Católica.

Tanto na ida como na volta, romeiros pagam variadas promessas. O agricultor José Pereira, estava vestido com uma mortalha preta e carregava uma bandeira vermelha com a imagem do santo. “Sofri um acidente de motocicleta em outubro do ano passado. Os médicos disseram que eu não sobreviveria. Fiquei três dias em coma. São Benedito me salvou”. Emocionado, o agricultor confessou que seguirá com a promessa. “Minha mãe fez a promessa, seria somente esse ano. Mas seguirei caminhando com São Benedito até quando minha saúde permitir”.
São Benedito, o santo negro,  peregrina nos braços de devotos por toda a procissão

Superação de problemas de saúde, aprovação no vestibular e emprego são as graças mais agradecidas pelos fiéis. Mas o romeiro Celso Magrão, recorreu a São Benedito para que seu time garantisse o título de campeão brasileiro de futebol em 2011. “Eu não assisti ao jogo. Em minha casa tinha uns 30 amigos acompanhando o jogo pela TV. Fiquei com medo de ver o Corinthians perder”. Magrão estava vestido com o uniforme do time do seu coração. Carregava uma bandeira corintiana que tremulava no ar em meio à romaria. “São Benedito é uma sustentação. É como uma rocha”. O torcedor afirmou que em 2012 vai novamente pedir ajuda a São Benedito, agora para que o Corinthians alcance o título da Taça Libertadores da América, o sonho de todo corintiano.

A festa ouremense é uma tradição popular, não se sabe a data de seu inicio. No começo era procissão marítima. Vários barcos desciam pelas águas do Rio Guamá até o porto de Ourém. Pela década de 1970, águas do rio foram substituídas pela estrada de terra, hoje asfaltada. Pela água ou pela estrada, a festa cresce a cada ano. “A festa de São Benedito em Ourém é muito significativa. É uma devoção à própria mãe de Jesus. Não se sabe a data que começou essa festa, mas é uma festa de cunho popular, uma festa onde as pessoas passam o ano todo se preparando, fazendo promessas, criando animais para doar ao Santo. A gente percebe que pelo fato dele ser preto e humilde, se identifica com os pobres, com os mais sofridos, por isso, ele é um grande santo da Igreja Católica e um grande santo da sociedade ouremense”, frisou Wilma Costa.
Prof.  Wilma, integrante do grupo de canto da Igreja Sede de Ourém
e devota de São Benedito

Fé e emoção
Depois da ladainha cantada, a pequena imagem do Santo Cozinheiro, coberta por várias fitas coloridas, é carregada pelos romeiros. Diferente de outros círios onde a imagem é levada em um andor ou berlinda, a imagem de São Benedito é levada pelos fiéis. O tempo é controlado para que todos possam carrega-lo em seus braços.

A frente da imagem, duas bandeiras vermelhas anunciam a presença do santo. Acompanhada por uma pequena banda composta por senhores e jovens, instrumentos de madeira rústica acompanham as músicas cantadas ao Glorioso.

Atrás da imagem vem o mastro, um tronco de arvore de nove metros de comprimento, coberto com palha de açaizeiro, enfeitado com flores naturais e frutas [coco, abacaxi e banana]. O mastro é carregado por homens descalços, que caminham de forma sincronizada e unidos na mesma fé e emoção.